White Aveiro

Portugal
ELP

Na Avenida Dr. Lourenço Peixinho, eixo estruturante e identitário de Aveiro, o edifício White Aveiro nasce de uma reflexão sobre a continuidade da cidade, o respeito pelo existente e a necessidade de projetar o futuro através de uma linguagem arquitetónica contemporânea e responsável.
A proposta parte de uma condição delicada: a presença de um pré-existente em estado de degradação, inserido entre dois edifícios de maior escala, onde a relação com a cércea e os alinhamentos dominantes se tornava inevitável. A resposta foi trabalhar não pela imposição, mas pela integração. O novo corpo edificado não procura sobressair, mas sim prolongar a cadência urbana da avenida, devolvendo-lhe harmonia e clareza.


A fachada organiza-se numa malha modular que, pela repetição, garante coerência e abstracção. Todos os elementos foram reduzidos a uma linguagem mínima, branca e depurada, onde a profundidade dos vãos e o jogo de luz e sombra criam ritmo e textura, devolvendo ao quarteirão um equilíbrio discreto mas expressivo.

No rés-do-chão, para além da continuidade comercial da avenida, o edifício mantém o atravessamento pedonal que liga a Avenida Dr. Lourenço Peixinho ao canal — uma característica identitária desta rua que aqui se reforça como gesto de continuidade urbana. Este corredor assume-se como espaço de permeabilidade e fluidez, conectando frente e tardoz, prolongando a vivência pedonal até à margem da ria e ampliando o carácter público do edifício.
Se a frente urbana se constrói pela continuidade, o coração do edifício encontra-se no vazio: um pátio central que assegura salubridade, ventilação e iluminação natural a todos os apartamentos. Este espaço negativo transforma-se em catalisador de vida, permitindo que cada habitação se abra à luz e ao ar, contrariando a densidade típica deste tipo de programa. É nele que o edifício respira, oferecendo qualidade de vida e sustentabilidade ambiental.

A estratégia modular da construção responde não apenas à coerência formal, mas também a uma lógica de racionalização e pré-fabricação, potenciando maior eficiência construtiva e durabilidade. A utilização de uma única cor reforça a ideia de abstração e intemporalidade, permitindo que o edifício dialogue com os seus vizinhos sem se perder em ornamentos ou gestos desnecessários.

O programa de habitação desenvolve-se através de tipologias T0 flexíveis, pensadas para responder às necessidades atuais da cidade, mas também reversíveis no futuro: os módulos permitem a fusão de unidades, criando apartamentos de maior dimensão, acompanhando a evolução da vida urbana e as transformações das formas de habitar.

O edifício é, assim, uma operação de reabilitação e ampliação que assume a responsabilidade de costurar a cidade. Uma intervenção que olha para a cidade com respeito pela sua memória, assumindo que a arquitetura pode ser ao mesmo tempo discreta e transformadora.

  • Ano de Projecto: 2017 - 2025
  • Área: 2397,77 m2
  • Localização: Aveiro
  • Código: 17ELP
  • Coordenadores:
  • Henrique Marques | Arquiteto
  • Rui Dinis | Arquiteto
  • Colaboradores:
  • André Sousa | Arquiteto
  • Adriana Pacheco | Arquiteta
  • Fred Delgado | Arquiteto
  • Joana Leitão | Arquiteta
  • João Ortigão | Arquiteto
  • Marco Santos | Arquiteto
  • Tiago Maciel | Arquiteto
  • Nuno Rodrigues | Arquiteto
  • Directora Financeira:
  • Carla Duarte | CFO
  • Fotografia: Alexander Bogorodskiy
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